habilidades sociais, networking
Por: Ricardo Ricchini

Se eu pudesse oferecer um superpoder aos membros do Nexus, assim como para meus clientes e parceiros de negócios, não seria um martelo que gera leads ao bater no chão ou um laço mágico de fechar negócios. Seria o poder de ter habilidades essenciais que tornam o empreendedor antifrágil.
Essas habilidades não deveriam ser opcionais. Sem elas o empreendedor demora muito para ganhar dinheiro, o que apressa o famoso Burnout. E elas não são específicas, mas um conjunto de competências em diversas áreas. Não significa ser um gênio disciplinado que sabe tudo, tem apenas a ver com não desprezar um saber por falta de vocação ou de vontade.
Já conheci muitos “empreendedores artistas” que desprezavam vendas e ou administração para focar 100% no talento da elaboração de um método ou na maestria da entrega. Na verdade, já fui um deles. Felizmente me curei desse atraso de vida.
Entenda: focar no método e na entrega pode parecer o motivo para ter decidido empreender, mas te impede de "organizar a casa" e gerar receita. Você acha que ter um sócio comercial (para se livrar da parte mundana) vai resolver seus problemas, mas acaba atraindo alguém que vai te passar a perna, afinal você está negligenciando parte do que é essencial, se tornando um cordeirinho que chama atenção dos lobos.
Quando penso em tornar em hábito o que ainda é esforçoso, uso uma matriz de 7 áreas da vida empreendedora. Vou descrevê-las com brevidade, mas focar no nível 4, de habilidades sociais.
Pode parecer que é muita coisa para lidar, mas na verdade uma área ajuda a outra e a alta performance é alcançável
Nível 1. Saúde. Não se alimenta bem? Não dorme o suficiente? O preço é declínio de produtividade e foco.
Nível 2. Finanças. A Carla Gandolfo escreveu um artigo sobre o básico aqui.
Nível 3. Gestão do tempo. Deixou de fazer uma reunião de negócios para ficar mendigando like no Instagram? Reveja suas prioridades.
Nível 4. Networking, que precisa virar netsharing cedo ou tarde. É esse nível de habilidades sociais que vamos aprofundar.
Nível 5. Expressão. Você precisa se incomodar se o seu pitch não está gerando reuniões de negócios.
Nível 6. Entendimento. O acelerador para chegarmos onde queremos. Envolve autodomínio, discernimento, compreensão, razão, moralidade, criatividade, autenticidade, aceitação, concentração, intuição e sabedoria.
Nível 7. Consciência. É como se fosse o prêmio por levar a sério os outros 6 níveis. Onde a observação nos acompanha em tudo o que fazemos. Consultamos a todo momento nossa essência e temos distanciamento e equilíbrio para decidir o caminho a seguir.
Esses são os fundamentos. Se você não sabe qual é o seu fluxo de caixa ou não sabe porque as vendas estão baixas, você depende dos outros para os aspectos mais fundamentais do negócio.
O isolamento social, a comunicação digital e o trabalho remoto corroeram nossa capacidade de interagir com confiança. Linguagem corporal, tom de voz, criação de empatia: essas são habilidades que podem ser aprendidas e que você deveria se pré ocupar em desenvolver.
Se só de pensar nessas interações você já se sente exausto, saiba que não está sozinho. Muitas pessoas se sentem assim. Mas, como qualquer habilidade, fica mais fácil com a prática. E a confiança que vem da capacidade de lidar com situações sociais, sejam elas remotas ou presenciais, é transformadora.
A questão da autossuficiência não é ser perfeito. Não se trata de não precisar de ajuda. Trata-se de acreditar que você consegue resolver as coisas necessárias e aí sim ajudar a comunidade por meio do protagonismo. Pense que todo "não consigo" significa "não quero". Por exemplo, "Não quero ganhar dinheiro!" Essa consciência leva para o "Peraí, quero ganhar dinheiro sim senhor!"
Quando me deparo com algo que eu não sei fazer, meu primeiro pensamento não é "Eu não consigo". É "Eu ainda não aprendi". Isso não é arrogância. É confiança construída ao longo de décadas de tentativas, erros, aprendizado e aprimoramento.
Sim, você pode e deve contratar especialistas no que você não domina, mas porque a decisão é sua, não imposta pela impotência. E quando você falha, são dados e informações novas, afinal “sem dados somos apenas pessoas com opiniões”.
Essa mentalidade, essa mudança da dependência para a proatividade, transforma tudo. Reduz a ansiedade. Aumenta a confiança. Torna você mais antifrágil, mais adaptável, mais capaz de lidar com qualquer desafio que a vida lhe apresentar.
O segredo é começar. Tentar. Permitir-se ser iniciante, ser imperfeito, aprender fazendo.
Porque o super humano verdadeiro é gregário e o contato social gera pertencimento, segurança psicológica e bem-estar, reduzindo o estresse do isolamento que talvez você sinta e nem saiba.